A quarta edição do Chambers Fórum São Paulo reuniu mais de 300 profissionais do Direito, em março, num evento repleto de discussões relevantes para o setor jurídico e empresarial, com painéis e palestrantes de alto nível, que apresentaram sessões temáticas abordando desde diversidade até mudanças climáticas e tecnologia jurídica.
Mateus Monteiro, Head of Brazil Research da Chambers and Partners, ressaltou que no decorrer do ano, a Chambers Brazil lança quatro guias com os principais resultados das pesquisas realizadas no setor jurídico brasileiro, destacando tendências de mercado, rankings de escritórios e advogados, e avanços na diversidade, equidade e inclusão (DEI). “A Chambers inaugurou em 2024 rankings dedicados ao mid-market, cobrindo uma importante área do mercado jurídico brasileiro, composto por escritórios que se dedicam a essa fatia do mercado. As quatro novas tabelas de mid-market cobrem resolução de disputas; contencioso tributário, trabalhista e corporate/M&A. Para 2025 teremos três novidades: o lançamento do Chambers Students Brazil – uma pesquisa que vai mapear o ambiente de trabalho dos escritórios, para apresentar para os estudantes e recém formados, como uma ferramenta para para os escritórios buscarem e reterem talentos; a inclusão de um novo ranking cobrindo –a área de jogos e apostas; e o Chambers Podcast com entrevistas com os diretores jurídicos de grandes empresas, para falar sobre carreira, tendências de mercado, relação com escritórios de advocacia e mais.”, anunciou Mateus Monteiro.
Diversidade e gestão de crise
Diversidade tem sido um tema relevante nas empresas, inclusive no ambiente jurídico. O que tem sido feito? A discussão girou em torno das oportunidades de negócios que a diversidade, equidade e inclusão (DEI) podem gerar, como explorar os impactos positivos de ambientes de trabalho mais diversos e inclusivos. O painel foi mediado pela coordenadora de diversidade e professora da FGV-SP, Alessandra Benedito, e contou com a presença da Conselheira Geral do GPA, Fernanda Gomes Barjud Silva, a fundadora da Black Sisters in Law, Dione Assis, e a diretora jurídica e de compliance da Organon e representante do Jurídico de Saias, Juliana Marques Kakimoto. O debate mostrou como é importante o ativismo e a mobilização pela diversidade e inclusão nos escritórios de advocacia, nas diretorias jurídicas das empresas e nos Conselhos. Um exemplo é a ação da Black Sisters In Law que começou com um grupo de whatsapp de menos de 20 advogadas negras, que hoje registra mais de 7.500 profissionais que interagem e se ajudam a ter cargos de liderança e ter mais representatividade no mercado jurídico.
O painel moderado por Raphael Vicente, da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, “Gestão de Crise Eficiente” com o desafio de analisar a transformação regulatória, tecnológica e de mercado, reuniu três empresas gigantes do mercado: Cielo, com Cinthia Costa, Kimberly-Clark, com Luiza Carrera de Magalhães e Meta, com Ramon Alberto dos Santos. “O mais importante é que o advogado conheça o negócio do cliente, suas demandas, sua postura pública, seus parceiros; porque quando aparece uma crise, não há tempo de pensar muito e explicar o ecossistema de atuação. O cliente quer que o escritório que o atende esteja preparado para enfrentar e oferecer soluções”, explica Ramon dos Santos, da Meta.
Dúvidas sobre Reforma Tributária, M&A e diferentes jurisdições
Toda a economia brasileira e as empresas têm uma preocupação: a Reforma Tributária. Para debater a complexidade da Legislação Tributária, as especialistas Clarissa Machado e Adriana Stamato, sócias do Trench Rossi Watanabe, receberam o Diretor Tributário da Siemens Healthineers, Ivan Ferreira, e a fundadora da Women Leaders in Fintechs, Kaliane Abreu, numa discussão muito rica. “A Reforma Tributária volta na semana que vem e as empresas ainda não estão preparadas; é preciso integrar a tecnologia com novas regras. Essa discussão vai exigir estratégias de negócios e montar comissões tributárias para planejar investimentos e analisar os ativos.”, analisa Abreu.
Com o olhar no mercado, empresas em Recuperação Judicial e transações de M&A envolvendo vendedores em dificuldades financeiras, Guilherme Bechara, sócio do Demarest, discorreu sobre os benefícios, oportunidades e riscos para investidores específicos na aquisição de ativos problemáticos.
Uma questão importante para empresas multinacionais é debater as melhores práticas jurídicas entre diferentes jurisdições. Por isso, um dos temas do Chambers São Paulo Fórum 2025 foi a discussão sobre disputas jurídicas nos tribunais brasileiros com os advogados Heloisa Uelze e Gledson Campos, sócios no Trech Rossi Watanabe, o Procurador Federal Marcelo Gorski Borges e a diretora jurídica da SAP, Priscila Perego.
Transição energética, COP 30 e os desafios das mudanças climáticas
A sessão “Transição Energética no Brasil”, com foco em tecnologias emergentes como hidrogênio verde e biocombustíveis foi debatido pelos advogados Adriano Drummond Trindade, Giovani Loss e Rômulo Sampaio, todos sócios do Mattos Filho: “São negócios que mudam a sociedade. Esse novo ciclo pós sustentabilidade vai ter imenso impacto econômico. Nossos clientes, além de se preocuparem com preservar a natureza, têm um novo ativo que é o mercado de crédito de carbono. Empresas e escritórios de advocacia têm um novo olhar para esse nicho de transição energética.”, explica Giovani Loss.
A sessão “IA e Comunicação Estratégica em Disputas Complexas no Brasil” mostra que o cenário das disputas jurídicas está em constante transformação, deixando de se limitar ao judiciário ou tribunal arbitral. Os meios de comunicação, redes sociais e a inteligência artificial passaram a desempenhar papeis importantes no resultado dos casos, exigindo das partes e dos advogados uma gestão que vai muito além do que está nos autos. “Estamos na onda da Inteligência Artificial no direito, com grandes modelos de linguagem e tudo acontecendo muito rápido”, comenta Pedro Maciel, sócio da Prática de Resolução de Disputas, do Lefosse. “Todos os dias surgem empresas de IA para auxiliar o mercado jurídico, mas é preciso entender quais serviços são realmente necessários”, complementa Bianca Longo Campos, Diretora Executiva Brasil do Jus Mundi.
O painel sobre “desafios concorrenciais, regulatórios e de governança” reuniu especialistas para discutir desafios e tendências na supervisão da IA, com foco em garantir um ambiente seguro, inovador e competitivo. “IA não é tecnologia, é estratégia. É preciso criar comitês assessórios para usar a Inteligência Artificial com perguntas certas. IA não é tendência, é tecnologia combinada com desafio de acelerar todos os setores para fazer diferença no resultado do negócio”, analisa Alessandra Fu, Diretora de Arquitetura e Salesforce.
A discussão sobre mudanças climáticas foi mediada por Roberta Danelon Leonhardt, do Machado Meyer, e contou com especialistas como Eduardo Ferreira, Caroline Prolo e Viviane Romeiro. “Participei do grupo dos 46 países menos desenvolvidos nas negociações das COPs, um momento supercrítico. Esse ano, teremos que estar focados em reafirmar os princípios da bioeconomia e liderar a agenda de uma nova economia. ‘Multimaterialismo’ é economia sustentável.”, reflete Caroline Prolo, Head de Stewardship Climático da fama re.capital e Co-fundadora da LACLIMA.
Novos mercados
Um dos destaques foi a sessão “Contencioso de Apostas Esportivas”, liderada pelo escritório Mattos Filho. Com a participação de Arthur Parente, Isabela Vidigal e Nicole Moreira, o painel abordou os desafios jurídicos desse mercado em ascensão.
“Os números do setor de apostas são superlativos. Em agosto de 2024, havia 4 mil sites de apostas que geraram R$ 20 bilhões e deu-se o início da regulamentação para operar conforme as regras do governo. Atualmente, 59 empresas foram autorizadas e cada uma desembolsará R$ 30 milhões. O governo sabe que não pode desprezar essa fonte de arrecadação. Há três fatores a considerar: empresas terão que se organizar, montar subsídios para defesa de eventuais ações judiciais e investir na educação do judiciário. Hoje, a regulamentação é sofisticada e reconhecida internacionalmente. Vai ser um nicho importante para os escritórios de advocacia”, elucida Nicole Moreira, sócia na área de Contencioso e Arbitragem do Mattos Filho.
O Chambers São Paulo Fórum 2025 foi uma reflexão sobre os temas relevantes da economia e negócios, destacando a importância do aprimoramento contínuo no setor jurídico. Com a participação de profissionais renomados e temas essenciais, a agenda da Chambers São Paulo foi uma experiência enriquecedora para todos do mundo jurídico e corporativo.
