A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) nova versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, como parte do Janeiro Verde, mês de conscientização e prevenção da doença. A nova versão visa orientar profissionais de saúde na transição de rastreamento, que substituirá gradualmente o exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV.
O guia teve a primeira edição lançada em 2022, quando se falava de vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) e o rastreamento com o exame Papanicolau, que utilizava a citologia, método vigente à época.
Mudanças significativas
Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, tanto a vacinação quanto o método de rastreamento receberam muitas mudanças principalmente em 2025, com ampliação da vacinação do público-alvo contra o HPV.
O público-alvo do novo exame de rastreamento DNA-HPV continua o mesmo no Brasil, abrangendo mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos. Outros países fixaram a idade inicial em 30 anos. Após estudos, o Brasil decidiu manter o que já estava consolidado no país, principalmente para não ter os dois métodos sendo usados concomitantemente em uma mesma unidade de saúde.
Periodicidade diferenciada
A periodicidade dos testes é diferente. Na citologia (Papanicolau), o exame tem de ser repetido de três em três anos após um resultado negativo, depois de dois resultados negativos feitos no intervalo de um ano.
Com o exame molecular (DNA-HPV), mais sensível, sabe-se que 99% das mulheres têm teste negativo, não têm HPV, não têm lesão precursora nem câncer e, por isso, pode-se ampliar o intervalo entre os exames para cinco anos.
Vacinação como prevenção primária
Flávia Corrêa destacou que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o câncer de colo do útero. “Porque simplesmente não tendo uma infecção por HPV, o câncer não ocorre. É o que a gente chama de prevenção primária”, explicou.
Com a pandemia de covid-19 e, nos anos seguintes, com o movimento antivacina, a cobertura caiu. Agora, o Programa Nacional de Imunização (PNI) faz grande esforço em relação à meta de 2030 e, desde o final do ano passado, com duração prevista até o final do primeiro semestre de 2026, está fazendo o resgate dos adolescentes entre 15 e 19 anos que não foram vacinados até o momento contra o HPV.
Disponível no SUS desde 2014, a vacina quadrivalente protege contra os tipos mais frequentemente associados ao desenvolvimento do câncer de colo de útero. No Brasil, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única contra o HPV.
Tipos de HPV e encaminhamentos
Além do HPV 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero, existe um grupo de mais dez tipos de HPV, considerados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer responsáveis por 30% dos casos.
Casos positivos para HPV 16 e 18 são encaminhados diretamente para colposcopia. As mulheres com resultado positivo para outros tipos de HPV oncogênico terão a citologia reflexa processada no mesmo material coletado para o teste molecular.
Caso a citologia apresente alterações, essas pacientes também serão encaminhadas para colposcopia. Mas se a citologia for normal, a paciente repete o teste de HPV em um ano, em vez de cinco anos, porque está em risco intermediário.
Transição gradual
Nos lugares em que o rastreamento molecular (DNA-HPV) não tiver chegado ainda, continuarão valendo as regras baseadas no rastreamento citológico (Papanicolau).
O guia atualizado da Fundação do Câncer já incorpora as recomendações das novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Metas até 2030
O Brasil aderiu à Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, lançada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e assumiu metas até 2030 que incluem:
- Vacinar 90% das meninas até 15 anos de idade
- Rastrear 70% das mulheres com teste molecular
- Tratar 90% das pacientes diagnosticadas
Dados sobre a doença
O Brasil registra, em média, 17 mil novos casos de câncer de colo do útero anualmente. Terceiro tipo de câncer mais incidente no país, o câncer de colo uterino provocou 7.209 mortes em 2023.
O HPV é responsável por quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, além de estar associado ao câncer na faringe, pênis, vagina e ânus.
Fonte: Agência Brasil




