Banco Will: entenda como funciona a liquidação extrajudicial e os impactos da medida

A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central em 21 de janeiro de 2026, gerou dúvidas entre correntistas e investidores sobre contas, investimentos e contratos. O banco digital, controlado pelo Banco Master, estava sob regime de administração temporária desde novembro de 2025, quando sua controladora teve a liquidação decretada.

O que é liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo usado para encerrar, de forma organizada, as atividades de instituições financeiras que enfrentam grave crise. Segundo o Banco Central, o objetivo principal é proteger depositantes, credores e o próprio sistema financeiro, evitando prejuízos maiores ou uma falência desordenada.

Quando pode ser decretada

No caso de instituições financeiras, a decretação da liquidação extrajudicial é atribuição exclusiva do Banco Central. A iniciativa pode partir do próprio órgão regulador ou, em alguns casos, dos administradores da instituição, desde que haja previsão estatutária.
A legislação autoriza a medida em situações como:

  • Insolvência sem possibilidade de reversão
  • Descumprimento de normas
  • Fraudes
  • Falhas operacionais graves
  • Gestão temerária

Além de bancos, outras empresas de setores sensíveis também podem ser submetidas ao regime, como seguradoras e entidades de previdência privada aberta (supervisionadas pela Susep) e operadoras de planos de saúde (reguladas pela ANS).

O caso do Will Bank

Segundo o Banco Central, após a liquidação do Master em novembro, o Will Bank passou a operar sob regime especial de administração temporária. O BC assumiu o controle da instituição com o objetivo de preservar a operação, evitar impactos imediatos aos clientes e tentar uma solução que permitisse sua continuidade, como a venda para um novo investidor.

Paralelamente, a situação financeira da instituição se deteriorou, com aumento dos passivos e dificuldades operacionais. O fator decisivo para a liquidação foi o descumprimento de compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard, verificado em 19 de janeiro de 2026.

Em comunicado oficial, o BC afirmou que a liquidação se tornou inevitável diante do comprometimento da situação econômico-financeira do Will Bank, de sua incapacidade de honrar obrigações e do vínculo direto com o Banco Master, já em liquidação.

O que acontece com o banco

Após a liquidação, as operações da instituição são interrompidas. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de funcionar. Um liquidante é nomeado pelo Banco Central para levantar bens, dívidas e créditos, vender ativos e organizar o pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.

E o cliente, como fica?

Quem tinha conta no banco perde o acesso imediato aos serviços. O saldo existente passa a integrar o passivo da instituição, e o correntista se torna credor no processo de liquidação. O pagamento dependerá das garantias disponíveis e do andamento do trabalho do liquidante.

Investimentos até R$ 250 mil

Para valores até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) atua como última linha de proteção. O resgate acontece de forma automática, sem necessidade de solicitação, em prazos que variam conforme o tipo de aplicação.

Impacto no FGC

O FGC está pagando R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores do Banco Master. A previsão inicial estava entre R$ 41 bilhões a R$ 43 bilhões a 1,6 milhão de clientes.

Com a liquidação do Master, o passivo subiu em R$ 6,3 bilhões, segundo o próprio FGC, totalizando o impacto final em R$ 46,9 bilhões. Isso equivale a mais de um terço do patrimônio do fundo.

Débitos permanecem válidos

A liquidação extrajudicial não elimina débitos dos clientes. Empréstimos, financiamentos e faturas seguem válidos. O que muda é a administração desses contratos, que passa a ser feita pelo liquidante ou por outra instituição que eventualmente assuma parte das operações.

Indisponibilidade de bens

A lei determina a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores da instituição liquidada. A medida impede a transferência de patrimônio até que sejam apuradas possíveis responsabilidades, funcionando como proteção adicional aos credores.

Liquidação x Falência

Apesar de semelhantes, os processos não são iguais. A liquidação extrajudicial é a etapa inicial aplicada a instituições financeiras e ocorre sob supervisão administrativa. A falência só pode ser decretada posteriormente, caso os ativos sejam insuficientes ou sejam identificados indícios de irregularidades mais graves.

Recomendações aos clientes

Quem tem conta ou investimentos em instituições liquidadas deve:

  • Reunir extratos, contratos e comprovantes
  • Acompanhar apenas comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC
  • Ter atenção a tentativas de golpe

O FGC não cobra taxas para efetuar pagamentos e alerta para tentativas de golpe em momentos de instabilidade bancária.

Fonte: Agência Brasil

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