Arrecadação federal bate recorde de R$ 2,89 trilhões em 2025

A arrecadação federal de impostos e contribuições bateu novo recorde em 2025, totalizando R$ 2,89 trilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal. O resultado representa um crescimento real de 3,75% em relação a 2024, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

É a maior arrecadação já registrada na série histórica, iniciada em 1995. Apenas em dezembro de 2025, a arrecadação alcançou R$ 292,72 bilhões, também um recorde histórico para o mês, com alta real de 7,46% na comparação com dezembro de 2024.

Receitas administradas pela Receita

Considerando apenas as receitas administradas pelo órgão, a arrecadação em 2025 chegou a R$ 2,76 trilhões, com crescimento real de 4,27%. Em dezembro, esse montante foi de R$ 285,21 bilhões, alta real de 7,67%.

Base de comparação com 2024

A base de comparação com 2024 foi impactada por eventos atípicos e mudanças na legislação tributária. Em 2024, houve arrecadação extra de R$ 13 bilhões com a tributação de fundos exclusivos, além de recolhimentos extraordinários de IRPJ e CSLL de R$ 4 bilhões, que não se repetiram com a mesma intensidade em 2025 (apenas R$ 3 bilhões).

Mesmo assim, segundo a Receita, se esses fatores fossem desconsiderados, o crescimento real da arrecadação entre janeiro e dezembro de 2025 teria sido de 4,82%.

Fatores que impulsionaram a arrecadação

IOF em destaque
A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) teve crescimento real de 20,54%, somando R$ 86,48 bilhões. O resultado reflete principalmente:

  • Operações de saída de moeda estrangeira
  • Operações de crédito destinadas a pessoas jurídicas
  • Títulos e valores mobiliários
  • Alterações legislativas que elevaram as alíquotas

Bets e loterias

Um dos destaques foi a taxação das casas de apostas virtuais (bets), que saltou de R$ 91 milhões para quase R$ 10 bilhões, um crescimento superior a 10.000% no acumulado do ano. A explicação está na regulamentação da atividade, que passou a valer apenas em 2025.

Rendimentos do exterior

A arrecadação sobre rendimentos de residentes no exterior avançou 12,91%, chegando a R$ 86,20 bilhões, puxada por royalties, rendimentos do trabalho e Juros sobre Capital Próprio (JCP).
PIS/Cofins

A arrecadação somou R$ 581,95 bilhões, com alta real de 3,03%, impulsionada pelo desempenho do setor financeiro e pela taxação de apostas online.

Comércio exterior

Os tributos sobre o comércio exterior cresceram 9,49% em termos reais, influenciados pela alta do dólar e pelo aumento das alíquotas médias.

Variáveis macroeconômicas

O desempenho da arrecadação foi influenciado principalmente pelo setor de serviços, que cresceu 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025.

Sinais de desaceleração

Apesar do recorde histórico, a Receita Federal aponta sinais de desaceleração, especialmente nos setores industrial e de venda de bens:

  • IRPJ e CSLL cresceram apenas 1,27%
  • IPI teve alta no mesmo patamar (1,27%)
  • Atividade industrial praticamente estável ao longo do ano

Contexto fiscal

O resultado positivo da arrecadação aumenta as chances do governo federal cumprir as metas fiscais estabelecidas no arcabouço fiscal e na Lei de Diretrizes Orçamentárias, contribuindo para a estabilidade das contas públicas.

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